Reflexões virtuais que se vão acumulando como pedra sobre pedra. Ora com mais cimento, ora mais soltas. Sem pretensão alguma, a não ser a de disponibilizar alguma ideia que "peregrine" nesta cabeça sobrelotada... Eu disse... sobreLOTADA!!

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Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007

A Cruz - como a pregamos?

A cruz tem sido sempre sinal de contradição…
Atrai, mas repele outros, normalmente. Agora o que é preciso é que este conflito não seja inutilmente estimulado por um modo provocador, discordante de pregar a doutrina de Jesus crucificado.
Demasiadas vezes a Cruz é apresentada à nossa adoração, menos como um fim sublime que atingiremos, ultrapassando-nos a nós mesmos, e mais como símbolo de tristeza, de restrição, de recalcamento. Essa maneira de pregar a Paixão, usa muitas vezes termos muito infelizes, vazios de sentido e gastos pela rotina, tais como sacrifício, imolação, expiação.
Brinca-se com um formulário de forma inconsciente.
Esta pregação acaba por dar a impressão de que o Reino de Deus não pode estabelecer-se senão no luto e ao arrepio das aspirações humanas.
Nada é menos cristão que esta perspectiva.
Tomada no seu mais alto grau de generosidade, a doutrina da Cruz é aquela a que todo o homem adere, persuadido de que perante a imensa agitação humana, se abre um caminho em direcção a alguma saída. E que esse caminho sobe…
A vida tem o seu termo. Portanto ela impõe uma direcção de marcha, orientada para a mais elevada espiritualização, através do maior esforço.
Admitir isto é já colocar-se entre os discípulos, talvez remotos e implícitos, mas reais, de Jesus crucificado…
É realmente verdade que a Cruz significa evasão para fora do mundo. E até em certo sentido rotura com este mundo. E é nisto que consiste a loucura cristã aos olhos dos sábios! Estes não querem arriscar nenhum dos bens que agora têm nas mãos, em troca de um total “para além”. Mas essa evasão lancinante para fora das zonas experimentais, representada pela Cruz, não é senão a sublimação da lei de toda a vida.

T. Chardin, in Le milieu divin

publicado por p joaomaria às 00:08
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Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2007

A Dor

A Dor

 

É a dor que parte a casca

Do vosso entendimento.

Como o caroço do fruto se deve partir

para que o seu coração se ofereça ao Sol,

assim deveis conhecer a dor.

 

E podereis guardar o vosso coração

maravilhado pelo milagre

de estar vivo todos os dias,

e a vossa dor

não aparecerá menos maravilhosa

que a vossa alegria.

 

E aceitareis as estações do vosso coração

como aceitastes as estações

que passavam pelos campos.

 

Muito do vosso sofrimento

fostes vós que o escolhestes.

 

É a poção amarga por meio da qual

o médico cura o vosso eu doente.

 

Confiai no médico e bebei a poção

calados e tranquilos.

 

Pois a sua mão,

apesar de dura e pesada

é guiada pela mão bondosa do Invisível;

 

E a taça que oferece,

apesar de vos queimar os lábios,

foi moldada da argila

que o oleiro molhou

com as suas lágrimas.

 

(K. Gibran, A Dor in: O Profeta, AO Braga 1990 5ª, 74-75)

publicado por p joaomaria às 23:33
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remando...

Agora que iniciou a Quaresma, como tempo de caminhada, de esforço, ou, se preferirem, de aplicação e empenho em caminhar e em que podemos pensar que somos nós que nos convertemos, recordo este belo poema de Sebastião da Gama:

Cá estou eu a julgar que vou remando…

Cá vai Deus a remar

e eu a ser um remo com que Deus

rasga caminhos sobre o Mar…

 S. Gama in: Serra - Mãe

 

publicado por p joaomaria às 00:25
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Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2007

O outro olhar...

A semana passada deparei com uma pequena história que não resisto a partilhar neste espaço:

 

 

“Um bom homem recebeu a carta de um amigo que lhe comunicava que lhe ia oferecer um formoso tapete. Era precioso — dizia-lhe — e fazia os maiores elogios ao tapete precioso que iria receber, todo ele bordado a ouro; representava primorosamente cenas de caça belíssimas; as cores estavam perfeitamente conseguidas. O seu valor, numa palavra, era incalculável.

Poucos dias depois, bateram à sua porta para entregar o tapete.

Desembrulhou-o a toda a pressa e, ao vê-lo, não pôde deixar de se sentir defraudado. Aquilo não era senão um monte de fios mal distribuídos, sem formar desenho algum inteligível.

Aqui e ali via nós presos de qualquer maneira. Em nenhum sítio via aquelas maravilhosas cenas de caça de que a carta falava. Não será tudo fruto da imaginação do meu amigo? - chegou a pensar. Tantos elogios para tão pouca coisa.

De repente, e quase sem o notar, deu a volta ao tapete e respirou aliviado.

Infelizmente, tinha estado a vê-lo do avesso. Agora, sim, pôde admirar os riquíssimos matizes das cores, as belas cenas representadas... Enfim, pareceu-lhe que o seu amigo até era parco nos elogios”.

 

Bem vistas as coisas, os outros, os acontecimentos, a vida, merecem de nós um outro olhar. Um olhar que vença o preconceito, a pressa em ajuizar, a impaciência como incapacidade para acolher e conhecer a realidade de coração aberto, sem pressas, nem olhares distorcidos…

Este outro olhar vale também para nos ajudar a encarar as dificuldades e os problemas que a nossa vida também carrega. Há sempre uma abordagem alternativa que pode ajudar-nos a acolher, a interiorizar ou simplesmente a integrarmos de forma pacificada aquilo que nos é dado viver.

Encarada assim, a realidade é mais positiva e os outros tornam-se um pouco melhores, simplesmente porque os vemos com um outro olhar, um olhar novo: “A lâmpada do corpo são os olhos; se os teus olhos estiverem sãos, todo o teu corpo andará iluminado. Se, porém, os teus olhos estiverem doentes, todo o teu corpo andará nas trevas. E, se a luz que há em ti são trevas, como essas trevas serão grandes!” (Mt. 6, 22-23).

 

Pe. João Maria

publicado por p joaomaria às 23:54
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