. Indicações para percorrer...
. Florescerá a justiça nos ...
Com a devida Vénia aos religiosos Camilianos de Madrid, de onde traduzi este itinerário para lidar com o luto, aqui vai como possibilidade de ajuda a quem se vê a braços com esse doloroso caminho.
1. Permite-te estar de luto
Autoriza-te a sentir-te mal, necessitado, vulnerável… Permite-te sentir plenamente a dor, porque esse é o primeiro passo deste caminho e não se termina nenhum caminho se não se começa a percorrê-lo.
2. Abre o teu coração à dor.
Regista e expressa as emoções que surjam; não as reprimas. Não te faças forte, não guardes tudo para dentro.
Com o tempo, a dor irá diminuindo. Se há algo que sempre vai aliviando o processo é justamente encontrar a forma de cada um se permitir a si mesmo sentir e expressar a dor; a tristeza, a fúria, o medo pelo que se perdeu. Percorrer o caminho de lés a lés é condição para fechar e sanar as feridas. E este caminho chama-se o Caminho das lágrimas.
Permite-te chorar. Mereces o direito de chorar quanto disso sintas necessidade. Não escondas a tua dor. Partilha o que te está a suceder com a tua família e com os teus amigos de confiança… Chorar é tão exclusivamente humano como rir. O choro actua como uma válvula libertadora da enorme tensão que qualquer perda produz.
3. Percorrer o caminho requer tempo.
Diz-se que o tempo cura tudo. Mas, cuidado, o tempo sem mais talvez não alcance a cura. O que realmente pode ajudar é o que cada um faz com o tempo. Não cries expectativas mágicas. Prepara-te para as recaídas. Um acontecimento de que não estavas à espera, uma visita, um aniversário, o Natal, enviam-te de novo ao começo. É assim. Não podes chorar hoje o de amanhã, nem continuar a chorar hoje o de ontem. Para hoje é o teu choro de hoje, para amanhã o de amanhã. Vive somente um dia cada dia.
4. Sê amável contigo.
Mesmo que as emoções que estás a viver neste momento sejam muito intensas e desagradáveis (e seguramente que o são), é importante não esquecer que são sempre passageiras…
Recorda que o pior inimigo num luto é uma pessoa não gostar de si mesma. Um dos momentos mais difíceis do luto costuma surgir alguns meses após a perda, quando todos começam a dizer-te que já deverias ter recuperado. Sê paciente. Não entres em apuros. Não penses que deverias sentir-te melhor. O teu tempo é o teu tempo.
5. Não tenhas medo de ficar louco/a.
Todos podemos viver sentimentos intensos de resposta à situação de luto sem que isso leve obrigatoriamente a qualquer desequilíbrio. A tristeza, a luta, a culpa, a confusão, o abatimento e até a fantasia de morrer são reacções habituais e comuns às pessoas que sofreram uma perda importante ou a morte de um ser querido.
Necessitas sentir a dor e todas as emoções que acompanham uma perda: tristeza, fúria, medo, culpa… Haverá pessoas que te dirão: “Tens que ser forte”. Não lhes faças caso…
6. Adia algumas decisões importantes.
Decisões como vender a casa, deixar o trabalho ou mudar para outro lugar são transcendentes e devem ser tomadas em momentos de suma clareza; dado que é inevitável um certo grau de confusão ao percorrer este caminho, seria preferível deixar essas decisões para mais tarde.
Pela mesma razão, nos primeiros momentos a seguir à perda não parece conveniente iniciar um novo relacionamento, decidir uma gravidez, acelerar um casamento.
7. Não descuides a tua saúde.
Muitos dos que percorrem este caminho estão ocupados no seu processo interno, estão tão atentos ao seu sentir penoso que não prestam atenção ao seu próprio corpo.
Passados os primeiros dias pode ser muito útil que decidas durante umas semanas impor-te a ti mesmo um horário para te levantares, um horário para as refeições, uma hora para te deitares… e o cumpras.
Alimenta-te bem e não abuses do tabaco, do álcool nem dos medicamentos.
Se nestes momentos for necessário algum medicamento para te ajudar, deverá ser sempre a juízo de um médico e nunca pelos conselhos de familiares, amigos ou vizinhos bem intencionados.
De qualquer maneira, é bom não andar de lado em lado à procura do profissional que aceite receitar os psico-fármacos para “não sentir”, porque em vez de ajudar pode contribuir para agravar o luto, tornando-o crónico.
8. Agradece as pequenas coisas.
É necessário valorizar as coisas boas que continuamos a encontrar na nossa vida, nesta situação de catástrofe. Sobretudo, permanecem alguns vínculos (familiares, amigos, o outro membro do casal, o sacerdote, terapeutas) de gente que aceita a minha confusão, a minha dor, as minhas dúvidas e seguramente os meus momentos mais obscuros. Para cada pessoa é diferente o que tem de agradecer: segurança, contenção, presença e inclusivamente o silêncio.
9. Não tenhas medo de pedir ajuda.
Não interrompas a tua ligação com os outros, mesmo que eles não estejam percorrendo este caminho. Necessitas da sua presença, do seu apoio, do seu pensamento, da sua atenção. Dá oportunidade aos teus amigos e seres queridos de estarem próximos. Todos os que te querem desejarão ajudar-te, mesmo que a maioria não saiba como fazê-lo.
10. Procura ser paciente com os outros.
Ignora a tendência de algumas pessoas para te dizerem como deves sentir-te e por quanto tempo; nem todos compreendem o que estás a viver. Amorosamente tentarão que esqueças a tua dor, fazem-no com boas intenções, para não te verem triste. Tem paciência mas não te empenhes em satisfazê-los. Afasta-te antes um pouco gentilmente e procura os que te permitem “estar mal” ou que desabafes sem medo quando o sentires assim.
Olá, boa tarde!
Hoje é só para dizer que ainda estou vivo e que, mais dia, menos dia darei notícias.
Só falta mesmo acabar um trabalhito para a Faculdade e depois regresso com mais regularidade.
Prometo, Gilberto.
Abraço
P. João Maria
Desta é que é de vez (só se não for!!!)
A semana passada entusiasmei-me e anunciei que ia disponibilizar em formato pdf uma proposta de oração com um salmo (foi, não foi, Zé?)... Precipitei-me!...
Afinal não consigo inserir ficheiros no blog, apenas texto e imagens. Será que é possível? Será que alguém quer ensinar-me?
Não sendo possível, ou não o sabendo fazer, passo a disponibilizar em formato normal que cada uma pode re-utilizar e formatar a seu gosto.
Boa caminhada de Advento.
Florescerá a justiça nos seus dias (Sl 71)
Bom dia, amigos.
Após longa ausência, resolvi voltar de novo postar qualquer coisita.
Se não fosse plágio, diria que umas migalhas - desculpa, Zé. Lembrei-me como tens insistido comigo para não me esquecer de colocar aqui umas letras... Não sei se serão com sentido, ou se serão disparatadas.. Hoje não escrevo muito mais.
Apenas dizer que resolvi partilhar aqui a proposta de oração que semanalmente faço com os doentes de oncologia do Hospital e que também disponibilizo para quem passa pela Capela. Um tempinho de oração com um salmo.
Se alguém quiser mesmo imprimir, pode fazê-lo.
Para isso coloco em PDF (se for capaz, faltava dizer isto!).
É só imprimir, retirar a folha da impressora, imprimir do outro lado, cortar e dobrar e depois o mais importante: utilizar...
Bons frutos para essa oração
João Maria
Já lá vai quase uma semana, mas ainda tenho bem presente na memória (e sobretudo no coração) a palavra de Jesus “Maria escolheu a melhor parte [sentou-se aos seus pés a ouvi-lO]”.
Releio agora os apontamentos do prof. José Carlos Bermejo, sobre "Relação de ajuda" e de novo recordo a experiência da outra semana, em que nos dávamos conta, pelos exercícios práticos que no dava para fazermos, como é tão difícil escutar. Não apenas ouvir (com os ouvidos), mas escutar… para lá das palavras, entrando em comunhão com o mundo do outro, estabelecendo empatia, interessando-me verdadeiramente por ele e pelo que me diz e ainda pelo que sente e não me diz…
“Escutar é a diaconia da caridade nas orelhas” dizia o professor. Acrescento eu que nas orelhas e no coração. Dou-me conta de como é difícil… de como exige conversão… não no sentido moral, mas enquanto voltarmo-nos para o outro, deixarmos o nosso umbigo como centro gravitacional de referência…
E eu que dizia tantas vezes que tinha sido treinado para ouvir e que, portanto, estava mais habilitado a ouvir que a falar…
Eu que digo tantas vezes que rezar é mais ouvir o que Ele nos segreda no silêncio do nosso íntimo, do que aquilo que lhe dizemos e ele já sabe…
Afinal… ouvir (e ouvi-lO) é não apenas algo necessário, mas também a “melhor parte”. É um desafio para este tempo de férias – para mim e para quantos queiram.
PS: Não quero deixar de ter uma palavra para as “Martas” que generosamente preparam qualquer coisa que sirva de pretexto para a comunhão à volta da mesa. Em especial para tantas que habitualmente me presenteiam com essa dedicação por esta época do ano. Bem vistas as coisas, Maria escolheu a melhor parte, o que quer dizer que a parte da Marta também não deve ser má!!!
P. J. Maria