Reflexões virtuais que se vão acumulando como pedra sobre pedra. Ora com mais cimento, ora mais soltas. Sem pretensão alguma, a não ser a de disponibilizar alguma ideia que "peregrine" nesta cabeça sobrelotada... Eu disse... sobreLOTADA!!
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Terça-feira, 3 de Março de 2009
Indicações para percorrer o caminho das lágrimas

 

  Com a devida Vénia aos religiosos Camilianos de Madrid, de onde traduzi este itinerário para lidar com o luto, aqui vai como possibilidade de ajuda a quem se vê a braços com esse doloroso caminho.

 

 
 

1. Permite-te estar de luto

Autoriza-te a sentir-te mal, necessitado, vulnerável… Permite-te sentir plenamente a dor, porque esse é o primeiro passo deste caminho e não se termina nenhum caminho se não se começa a percorrê-lo.

 

2. Abre o teu coração à dor.

Regista e expressa as emoções que surjam; não as reprimas. Não te faças forte, não guardes tudo para dentro.

Com o tempo, a dor irá diminuindo. Se há algo que sempre vai aliviando o processo é justamente encontrar a forma de cada um se permitir a si mesmo sentir e expressar a dor; a tristeza, a fúria, o medo pelo que se perdeu. Percorrer o caminho de lés a lés é condição para fechar e sanar as feridas. E este caminho chama-se o Caminho das lágrimas.

Permite-te chorar. Mereces o direito de chorar quanto disso sintas necessidade. Não escondas a tua dor. Partilha o que te está a suceder com a tua família e com os teus amigos de confiança… Chorar é tão exclusivamente humano como rir. O choro actua como uma válvula libertadora da enorme tensão que qualquer perda produz.

 

3. Percorrer o caminho requer tempo.

Diz-se que o tempo cura tudo. Mas, cuidado, o tempo sem mais talvez não alcance a cura. O que realmente pode ajudar é o que cada um faz com o tempo. Não cries expectativas mágicas. Prepara-te para as recaídas. Um acontecimento de que não estavas à espera, uma visita, um aniversário, o Natal, enviam-te de novo ao começo. É assim. Não podes chorar hoje o de amanhã, nem continuar a chorar hoje o de ontem. Para hoje é o teu choro de hoje, para amanhã o de amanhã. Vive somente um dia cada dia.

 

4. Sê amável contigo.

Mesmo que as emoções que estás a viver neste momento sejam muito intensas e desagradáveis (e seguramente que o são), é importante não esquecer que são sempre passageiras…

Recorda que o pior inimigo num luto é uma pessoa não gostar de si mesma. Um dos momentos mais difíceis do luto costuma surgir alguns meses após a perda, quando todos começam a dizer-te que já deverias ter recuperado. Sê paciente. Não entres em apuros. Não penses que deverias sentir-te melhor. O teu tempo é o teu tempo.

 

5. Não tenhas medo de ficar louco/a.

Todos podemos viver sentimentos intensos de resposta à situação de luto sem que isso leve obrigatoriamente a qualquer desequilíbrio. A tristeza, a luta, a culpa, a confusão, o abatimento e até a fantasia de morrer são reacções habituais e comuns às pessoas que sofreram uma perda importante ou a morte de um ser querido.

Necessitas sentir a dor e todas as emoções que acompanham uma perda: tristeza, fúria, medo, culpa… Haverá pessoas que te dirão: “Tens que ser forte”. Não lhes faças caso…

 

6. Adia algumas decisões importantes.

Decisões como vender a casa, deixar o trabalho ou mudar para outro lugar são transcendentes e devem ser tomadas em momentos de suma clareza; dado que é inevitável um certo grau de confusão ao percorrer este caminho, seria preferível deixar essas decisões para mais tarde.

Pela mesma razão, nos primeiros momentos a seguir à perda não parece conveniente iniciar um novo relacionamento, decidir uma gravidez, acelerar um casamento.

 

7. Não descuides a tua saúde.

Muitos dos que percorrem este caminho estão ocupados no seu processo interno, estão tão atentos ao seu sentir penoso que não prestam atenção ao seu próprio corpo.

Passados os primeiros dias pode ser muito útil que decidas durante umas semanas impor-te a ti mesmo um horário para te levantares, um horário para as refeições, uma hora para te deitares… e o cumpras.

Alimenta-te bem e não abuses do tabaco, do álcool nem dos medicamentos.

Se nestes momentos for necessário algum medicamento para te ajudar, deverá ser sempre a juízo de um médico e nunca pelos conselhos de familiares, amigos ou vizinhos bem intencionados.

De qualquer maneira, é bom não andar de lado em lado à procura do profissional que aceite receitar os psico-fármacos para “não sentir”, porque em vez de ajudar pode contribuir para agravar o luto, tornando-o crónico.

 

8. Agradece as pequenas coisas.

É necessário valorizar as coisas boas que continuamos a encontrar na nossa vida, nesta situação de catástrofe. Sobretudo, permanecem alguns vínculos (familiares, amigos, o outro membro do casal, o sacerdote, terapeutas) de gente que aceita a minha confusão, a minha dor, as minhas dúvidas e seguramente os meus momentos mais obscuros. Para cada pessoa é diferente o que tem de agradecer: segurança, contenção, presença e inclusivamente o silêncio.

 

9. Não tenhas medo de pedir ajuda.

Não interrompas a tua ligação com os outros, mesmo que eles não estejam percorrendo este caminho. Necessitas da sua presença, do seu apoio, do seu pensamento, da sua atenção. Dá oportunidade aos teus amigos e seres queridos de estarem próximos. Todos os que te querem desejarão ajudar-te, mesmo que a maioria não saiba como fazê-lo.

 

10. Procura ser paciente com os outros.

Ignora a tendência de algumas pessoas para te dizerem como deves sentir-te e por quanto tempo; nem todos compreendem o que estás a viver. Amorosamente tentarão que esqueças a tua dor, fazem-no com boas intenções, para não te verem triste. Tem paciência mas não te empenhes em satisfazê-los. Afasta-te antes um pouco gentilmente e procura os que te permitem “estar mal” ou que desabafes sem medo quando o sentires assim.

 

Trad. e adaptado de: Servicio de Atención Espiritual – Centro San Camilo - Tres Cantos, Madrid, Recomendaciones para recorrer el camino de las lágrimas, In: De domingo a domingo, Folhas n.º 20 - 26 (Jul-Ago 2008).


publicado por p joaomaria às 23:18
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Quarta-feira, 9 de Julho de 2008
Notícias breves

Olá, boa tarde!

Hoje é só para dizer que ainda estou vivo e que, mais dia, menos dia darei notícias.

Só falta mesmo acabar um trabalhito para a Faculdade e depois regresso com mais regularidade.

Prometo, Gilberto.

Abraço

P. João Maria



publicado por p joaomaria às 12:54
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Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007
Florescerá a justiça nos seus dias

Desta é que é de vez (só se não for!!!)

A semana passada entusiasmei-me e anunciei que ia disponibilizar em formato pdf uma proposta de oração com um salmo (foi, não foi, Zé?)... Precipitei-me!...

Afinal não consigo inserir ficheiros no blog, apenas texto e imagens. Será que é possível? Será que alguém quer ensinar-me?

Não sendo possível, ou não o sabendo fazer, passo a disponibilizar em formato normal que cada uma pode re-utilizar e formatar a seu gosto.

Boa caminhada de Advento.

 

 

Florescerá a justiça nos seus dias (Sl 71)

1. Entrar no espírito deste salmo
Na antiguidade, os profetas mantiveram acesa a esperança de Israel de que Deus não o havia abandonado e havia de nascer o Messias, de que o velho tronco ganharia novos rebentos, o deserto floresceria.
Neste tempo de Advento, também nós Te pedimos, Senhor, que cada um de nós Te abra a vida para que germines, para que florestas, para que nasças e mantenhas a esperança acesa em nosso coração. Vem depressa, Senhor. Vem, Salvador.
 
2. Ler o Salmo
 
Os montes trarão a paz ao povo
e as colinas a justiça.
Deus fará justiça aos mais humildes do povo,
salvará os indigentes e abaterá os opressores.
 
Permanecerá como o sol e como a lua,
de geração em geração.
Descerá como a chuva sobre a relva,
como a água que fecunda a terra.
 
Florescerá a justiça nos seus dias
e uma grande paz até ao fim dos tempos.
Ele dominará de um ao outro mar,
do grande rio até aos confins da terra.
 
Socorrerá o pobre que pede auxílio
e o miserável que não tem amparo.
Terá compaixão dos fracos e dos pobres
e defenderá a vida dos oprimidos.
 
3. Como rezá-lo?
 
· Acolhe a esperança num futuro cheio da presença de Deus e da sua acção libertadora.
· Repete para ti mesmo as frases que mais gostaste. Diz-lhe que sabes que ele fará justiça aos mais humildes. Que socorrerá o pobre que pede auxílio.
· Dispõe-te acolher em ti a sua vinda que o mistério do Natal pretende reavivar e aceita o dom da sua presença na tua vida.
 
4. Como vivê-lo?
 
Leva para a vida o que meditaste no salmo.
Pede-lhe que te ajude a viver em caminhada de Advento para que o Natal seja verdadeiro nascimento de Deus em ti e que a tua existência se encaminhe serenamente para Aquele que é plenitude da Vida e do Amor.
 
Momento de silêncio
 
Pai Nosso
 
Oração
Deus, nosso Salvador, estendei a todos os povos o reino de justiça e de paz que prometestes a David e à sua descendência, e concedei aos homens a verdadeira paz, aos pobres a justiça e aos desamparados o conforto, por meio de Jesus, vosso Filho, no qual são abençoadas todas as gerações da terra. Ele que é Deus contigo na unidade do Espírito Santo.
Todos – Ámen.

 

  

A minha alma enche-se de alegria
ao pensar na Tua chegada.
O meu coração enche-se de cânticos
enquanto Te espera.
Sei que me mostrarás os segredos da vida,
os caminhos mais apaixonantes
e os melhores companheiros para viagem.
Contigo, Senhor,
o caminho da vida é mais fácil
e as feridas da caminhada
tornam-se mais leves.
 
 
Ouve, Senhor...

Converte-nos ao Teu amor,
que a Tua chegada mude o nosso coração
e trabalhemos para que floresça a justiça
e tratemos todos como irmãos
e cuidemos do que precisam
e vivamos centrados nos outros
e escutemos sempre quem sofre.

Converte-nos a Ti, Senhor,
ensina-nos a construir a paz,
a tratarmo-nos com carinho,
a evitar os conflitos,
a minimizar as diferenças,
a falar com palavras cálidas,
a procurar o que nos une,
a construir o Teu Reino de igualdade e
Fraternidade eternas.

Converte-nos a Ti, Senhor;
não nos deixes continuar a viver assim,
não permitas que a indiferença nos envolva.
Desperta-nos a sensibilidade.
Converte-nos o coração, aquele de pedra e indiferença,
para amarmos mais,
para sentirmos o outro,
para melhorarmos a sua existência.
(a partir do Sl.71 - Álvaro Ginel,
Mary Patxi Ayerra; Advento Tempo de Oração, Ed. Salesianas)


publicado por p joaomaria às 23:43
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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007
Rezando com um salmo

Bom dia, amigos.

Após longa ausência, resolvi voltar de novo postar qualquer coisita.

Se não fosse plágio, diria que umas migalhas - desculpa, Zé. Lembrei-me como tens insistido comigo para não me esquecer de colocar aqui umas letras... Não sei se serão com sentido, ou se serão disparatadas.. Hoje não escrevo muito mais.

Apenas dizer que resolvi partilhar aqui a proposta de oração que semanalmente faço com os doentes de oncologia do Hospital e que também disponibilizo para quem passa pela Capela. Um tempinho de oração com um salmo. 

Se alguém quiser mesmo imprimir, pode fazê-lo.

Para isso coloco em PDF (se for capaz, faltava dizer isto!).

É só  imprimir, retirar a folha da impressora, imprimir do outro lado, cortar e dobrar e depois o mais importante: utilizar...

Bons frutos para essa oração

João Maria



publicado por p joaomaria às 10:34
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Sábado, 28 de Julho de 2007
Saber escutar

Já lá vai quase uma semana, mas ainda tenho bem presente na memória (e sobretudo no coração) a palavra de Jesus “Maria escolheu a melhor parte [sentou-se aos seus pés a ouvi-lO]”.

Releio agora os apontamentos do prof. José Carlos Bermejo, sobre "Relação de ajuda" e de novo recordo a experiência da outra semana, em que nos dávamos conta, pelos exercícios práticos que no dava para fazermos, como é tão difícil escutar. Não apenas ouvir (com os ouvidos), mas escutar… para lá das palavras, entrando em comunhão com o mundo do outro, estabelecendo empatia, interessando-me verdadeiramente por ele e pelo que me diz e ainda pelo que sente e não me diz…

“Escutar é a diaconia da caridade nas orelhas” dizia o professor. Acrescento eu que nas orelhas e no coração. Dou-me conta de como é difícil… de como exige conversão… não no sentido moral, mas enquanto voltarmo-nos para o outro, deixarmos o nosso umbigo como centro gravitacional de referência…

E eu que dizia tantas vezes que tinha sido treinado para ouvir e que, portanto, estava mais habilitado a ouvir que a falar…

Eu que digo tantas vezes que rezar é mais ouvir o que Ele nos segreda no silêncio do nosso íntimo, do que aquilo que lhe dizemos e ele já sabe…

Afinal… ouvir (e ouvi-lO) é não apenas algo necessário, mas também a “melhor parte”. É um desafio para este tempo de férias – para mim e para quantos queiram.

PS: Não quero deixar de ter uma palavra para as “Martas” que generosamente preparam qualquer coisa que sirva de pretexto para a comunhão à volta da mesa. Em especial para tantas que habitualmente me presenteiam com essa dedicação por esta época do ano. Bem vistas as coisas, Maria escolheu a melhor parte, o que quer dizer que a parte da Marta também não deve ser má!!!

P. J. Maria



publicado por p joaomaria às 00:04
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